Menos Que Zero, Bret Easton Ellis

Opinião
Rude. Impactante. Real.
Se nos dias que correm Ellis é visto como um autor excêntrico, imagine-se quando ainda era um teenager, altura em que escreveu este livro. E, de facto, em “Menos Que Zero” toda a sua frontalidade e ironia encontram-se bem patentes em qualquer uma das páginas que compõem esta ficção.
Ellis pega nos personagens mais desinteressantes que se possa imaginar e cria à volta deles um enredo tremendo. Neste livro ele consegue dar vida a adolescentes sem vida, energia numa rotina sem rumo e razão àquilo que parece perdido.
“Menos Que Zero” é uma grande lição sobre a sociedade moderna e sobre os princípios pelos quais as pessoas se regem. Pode parecer um tema cliché, mas não é. Na verdade, é como se o autor utilizasse uma espécie de psicologia invertida, mostrando aquilo que pode ser considerado aceitável através do inaceitável.
Toda a narrativa trata do dia-a-dia de jovens que se reencontram uns com os outros, sem nunca, porém, se conseguirem reencontrar com eles mesmos.
É um livro duro e não será do agrado de toda a gente. Eu gostei bastante e lerei com toda a certeza os restantes que foram publicados pela mesma chancela, que, aliás, já possuo.
Só um pequeno aparte. Curiosamente, no fim-de-semana em que terminei “Menos Que Zero”, vi o último filme da Sofia Coppola “The Bling Ring”. Foi engraçado constatar como em quase trinta anos depois duas visões se podem revelar tão aproximadas, onde nada parece ter mudado, quando a cada dia que passamos cremos que tudo parece diferente.

Sinopse

Menos Que Zero o primeiro romance de Bret Easton Ellis publicado há vinte e cinco anos, quando ele tinha apenas dezanove, é um retrato invulgar da vida de um grupo de jovens, sem qualquer sensibilidade, de Los Angeles nos anos 80. O protagonista da história, Clay, que é também o seu narrador volta a Los Angeles nas férias do Natal, após um período num College de New Hampshire e mergulha rapidamente no estilo de vida decadente da classe alta, cheio de festas, drogas e engates de uma noite. O livro, não tem uma história tradicional, nem segue qualquer trama narrativa. Através de constantes flashes dá-nos um retrato implacável de vidas que se vão atolando cada vez mais no vazio das aparências, do glamour e da cocaína. Ellis reconheceu, na época, que esta sua obra reflectia uma «experiência extremamente turbulenta« da sua vida de estudante do liceu em Los Angeles, embora não se identificasse com o protagonista e narrador do livro. Menos Que Zero rapidamente se transformou num bestseller à escala mundial, e Portugal não foi excepção.

1 comentários:

    Oi! Adorei o blog. Seguindo, claro!
    Beijos,
    Isabelle
    http://www.verbosdiversos.com/

     

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