Contracorpo, Patrícia Reis


Opinião:
Ao abrirmos o livro encontramos, uma citação de Marguerite Duras 

“Sou a única a amar o meu filho, a compreendê-lo verdadeiramente, e mesmo através das cenas, dos gritos, continua a ser amor. Se eu morrer, ele será muito infeliz. Com ele, partilho a mesma loucura, a mesma violência, o mesmo amor”

in duras ou le poids d’une plume Lebelley, 1994.


Patrícia Reis não poderia ter escolhido melhor citação do que esta, porque mãe é isto tudo, é amor incondicional, é cenas, é alegria, é gritos, às vezes é tristeza, é paixão. Mas é sempre amor e amizade para com os seus filhos!

Contracorpo,  fala-nos das relações. Das relações que temos na nossa vida e da forma como lidamos com elas. Essa obra levou-me constantemente à reflexão. Não só pela história principal que nos mostra a relação entre mãe e filho (mais velho) como por todas as outras que compõem o livro e que também são elas muito importantes na nossa vida.

Maria perdeu o marido, tem dois filhos e uma vida pela frente. Vida esta que se complica sem o marido e com os filhos, um destes mais problemático do que o outro. Assim pensa Maria. Sim, assim pensa ela, porque quando somos mães qualquer coisa que se manifeste de forma diferente nos nossos filhos soa logo um alarme, como se de uma sirene se tratasse. Às vezes, esta sirene é ensurdecedora.

Por mais que tentemos tratar o suposto problema, parece que este aumenta. E aumenta em proporções gigantescas, que nos escapa e foge dos dedos erguendo-se assim uma barreira entre dois seres que se amam, entre dois mundos diferentes!

No entanto, um destes mundos – o da mãe – conhece e já passou pelo mundo do filho. A mãe já foi criança, adolescente e adulta. Ao filho, falta passar esta etapa - ser um adulto com a responsabilidade dos filhos. Então cabe à mãe saber lidar e arranjar a solução para quebrar a barreira que se ergueu entre eles! Tarefa que se revela, por vezes, bastante difícil. Mas não impossível, porque esta é uma palavra que muitas mães não têm no seu dicionário – “impossível”.

“Uma mãe nunca é o que se espera” porque se transforma se necessário em prol de si ou de alguém. “Um filho é sempre uma surpresa” porque às vezes não sabemos lidar com as surpresas e torna-se um desafio constante!

Adorei esta leitura!

2 comentários:

    On 02 abril, 2013 Vasco disse...

    Quero ler...! :D

     

    Uma escritora que gostava de descobrir.
    Foi numa reportagem que vi dela, que me despertou essa curiosidade.

     

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