Opinião:
Este é daqueles livros que depois de lermos pouco conseguimos escrever, porque tudo será pouco para transmitir a essência da narrativa… Tal como O Que o Dia Deve à Noite de Yasmina Khadra, esta é mais uma bela obra do autor.
Como o próprio título do livro indica “Cada Dia É Um Milagre”, tal como cada dia da nossa vida o será se o soubermos aproveitar e apreciar.
O livro está dividido em três partes, Frankfurt, Blackmoon e Regressos.
O início da narrativa dá-se em Frankfurt, onde o personagem principal é tomado por uma desilusão – a sua mulher suicida-se sem que ele saiba porquê. Cai no vazio, no caos e de lá não consegue sair… até que um amigo resgata-o da solidão para uma viagem de barco que irá mudar a sua vida para sempre e é aqui que entramos na segunda parte do livro – Blackmoon.
A viagem que parecia um balsamo para a sua depressão torna-se numa viagem de terror, numa digressão horrenda que o fará olhar para a sua sobrevivência diária como um milagre.
Neste capítulo, damos conta de um continente perdido – África – onde o alimento diário é o crime (na sua forma mais maléfica) e a corrupção… mas onde o sonho e a esperança não morreram, onde a poesia, por incrível que pareça, acompanha homens violentos e insensíveis. Porque o ser, por mais mal formado que seja, é um todo, um todo que abarca essencialmente o bem!
Esta parte da narrativa “Blackmoon” é a que engloba a maior parte do livro, é a que nos fala de África da sua crueldade e rudeza, confesso que a dada altura achei maçadora, no entanto, quando iniciei a leitura de “Regressos” (a última parte do livro) entendi que “Blackmoon” tinha toda a lógica de ser “maçadora” no aspecto em que nos dá a conhecer África. Pois “Regressos”  mostra-nos a redenção do nosso personagem face aos ensinamentos que África proporcionou. Em que o sacrifício e a fé ultrapassam barreiras que pensamos ser intransponíveis.

“ Para que um coração continue a marcar o ritmo dos desafios, é necessário bombear no fracasso a seiva da sua sobrevivência.” Pág 265

Adorei!

6 comentários:

    On 22 agosto, 2012 CICL disse...

    olá Paula... regresso timidamente à Floresta das Leituras...
    Gostei da tua crítica neste livro, uma proxima leitura para mim...
    bj.

     

    Depois de ler este belo texto fiquei com vontade de ler o livro.

    Bjs!

     
    On 22 agosto, 2012 Iceman disse...

    Olá Paula!
    Eu adorei o livro e marcou-me dois factos. O primeiro quando o protagonista, depois da sua vivência em África questiona do porquê da sua mulher, que tudo tinha, se ter suicidado quando aquelas pessoas, que lutavam pela sobrevivência, tudo faziam para viver e isso vê-se no caso do neto que transporta a avó pelo deserto.
    Depois Blackmoon foi o personagem que mais me fascinou e que incorpora a realidade violenta de África e é também uma analogia aos sonhos perdidos de alguém com talento e que se vê obrigado a agir daquela forma.
    Um romance tocante que expressa a realidade de África e que nos demonstra a beleza e o milagre da vida.

     
    On 23 agosto, 2012 Paula disse...

    CICL,
    Sê bem vinda novamente :)

    António,
    É muito bom o livro, assim como o outro do autor!

    Iceman,
    Eu não diria melhor amigo! :D

     

    Comprei o livro hoje porque gosto do que li deste escritor e por causa desta crítica :)

     

    Gostei e publiquei no meu blog. Obrigado pelos sempre interessantes posts.

     

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